DE MARIA, Lorenza. Battesimo. In: BISCONTI,
Fabrizio. Temi di Iconografia Paleocristiana. Città
del Vaticano: 2000, Roma.*
A
história da iconografia batesimal deve começar com o mais antigo
documento figurativo cristão, ou seja, aqueles das criptas de
Lucina, no complexo romano de S. Callisto, onde aparece a primeira
representação do batismo de Cristo (Wp, tav. 29,1= Nr
p.103, n. 1). A cena sai fora de todo cânone que virá fixado, dalí
a pouco, para o esquema do episódio neotestamentário e não traduz
em figura o momento solene da ação do batismo, mas aquele
imediatamente sucessivo, quando, simultaneamente à descida da pomba
do Espírito Santo, João Batista ajuda Cristo a sair das águas do
Jordão. Logo depois, a cena se codifica propondo unicamente a
imagem de Cristo Jovem, por vezes, menino, nú e imerso na água,
com os braços 'largados' ao longo do corpo, quase para dar
a ideia da imobilidade, da inércia, ante
à potência hipnótica do battezzante. O precursor se põe
diante de Cristo, variadamente
vestido (com túnica e o pallio1
à túnica exígua ou esomide) e coloca solenemente a mão
sobre a cabeça do battezzato. Nenhum outro elemento valida
estas imagens, se não fosse pela pomba e as águas que querem
indicar o Jordão e antes são mesmo estes dois elementos a desfazer
a dúvida a cerca da identificação da cena, para não confundí-la
com o batismo de um simples neofita (FAUSONE, 1982). O traço
marcante destas cenas_ daquelas dos cubículos dos
sacramentos em Callisto (Wp 27,3=Nr p. 106, n. 22; Wp
39,2= Nr p. 106, n. 21) àquelas do sarcófago de S. Maria
Antiqua (Ws 7-8= R 747,1)-, está extamente no gesto
solene e místico do impositio manuum que, na arte cristã se
propõe a um significado polivalente, articulado e absolutamente
caracterizado por opostos significados. O gesto oscila entre as
ideias de reconciliação, cura, ordenação e confirmação (DE
BRUYNE 1943). No âmbito do rito batesimal, o gesto do impositio
pode significar vários
momentos da dinâmica e da práxis religiosa oriental e ocidental:
da simples aspersão à unção e à imposição do sinal da cruz
sobre a testa. Em qualquer
caso a iconografia propõe algumas variantes, como quando, na volta
de um cubículo do cemitério dos SS. Pietro e Marcellino (Nr
p. 152, n. 17), o battezzato leva as mãos em gesto de
oração, talvez para significar o momento da renúncia à pompa
diaboli, que se efetuava se virando a Ocidente, a região das
trevas, ou talvez para exprimir a confissão de fé, que se
manifestava com as mãos estendidas, se virando em direção ao
Oriente. Com o transcorrer dos séculos, a iconografia do batismo de
Cristo se enriquece de personagens, com a introdução de anjos e da
personificação do Jordão, também a cena do batismo dos neófitas
se articula e se povoa de outras figuras (DASSMANN 1973; SCORTECCI
1985-6; DE MARIA 1992). Neste sentido, é emblemática a incisão
figurada que decora uma epígrafe marmórea em Aquileia, com a
representação de uma jovenzinha cujo um ministro impõe
as mãos sobre sua cabeça: ao evento que se desenrola em um
ambiente ameno, participa um personagem com
auréola identificado com Cristo (CUSCITO 1969-70). Nesse
contratempo e até aos séculos do medieval as cenas de batismo se
repetem segundo um esquema canônico, que prevê o Cristo nas águas
do Jordão, enquanto vem banhado
levemente com água por João Batista. Nestes termos a cena
aparece nos dois batistérios ravennati e, desde aquele
momento, em muitos edifícios batesimais por todas as terras do
tardoantigo.
* Tradução livre
1-
a.
nella
roma antica, telo rettangolare di stoffa, generalmente bianca, che
si portava avvolto intorno al corpo al di sopra della tunica;
analogo indumento indossato nella grecia antica (Na Roma antiga,
pedaço retangular de tecido, geralmente branco, que se portava
enrolado em torno do corpo por sobre uma túnica; análogo
vestimenta trajada na Grécia antuga; b.(lit.)
lunga stola di lana bianca con due strisce frangiate pendenti, che
viene portata sopra gli altri paramenti durante le funzioni solenni
dal papa, dai patriarchi e dagli arcivescovi (longa estola de lã
branca com duas pontas em franjas pendentes, que vem disposta sobre
outras vestimentas durante as funções solenes do papa, dos
patriarcas e dos arcebispos. (http://dizionarioitaliano.it.
18/05/2014, às 15:40)
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