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quarta-feira, 21 de maio de 2014

DOCUMENTO FIGURATIVO CRISTÃO

DE MARIA, Lorenza. Battesimo. In: BISCONTI, Fabrizio. Temi di Iconografia Paleocristiana. Città del Vaticano: 2000, Roma.*

A história da iconografia batesimal deve começar com o mais antigo documento figurativo cristão, ou seja, aqueles das criptas de Lucina, no complexo romano de S. Callisto, onde aparece a primeira representação do batismo de Cristo (Wp, tav. 29,1= Nr p.103, n. 1). A cena sai fora de todo cânone que virá fixado, dalí a pouco, para o esquema do episódio neotestamentário e não traduz em figura o momento solene da ação do batismo, mas aquele imediatamente sucessivo, quando, simultaneamente à descida da pomba do Espírito Santo, João Batista ajuda Cristo a sair das águas do Jordão. Logo depois, a cena se codifica propondo unicamente a imagem de Cristo Jovem, por vezes, menino, nú e imerso na água, com os braços 'largados' ao longo do corpo, quase para dar a ideia da imobilidade, da inércia, ante à potência hipnótica do battezzante. O precursor se põe diante de Cristo, variadamente vestido (com túnica e o pallio1 à túnica exígua ou esomide) e coloca solenemente a mão sobre a cabeça do battezzato. Nenhum outro elemento valida estas imagens, se não fosse pela pomba e as águas que querem indicar o Jordão e antes são mesmo estes dois elementos a desfazer a dúvida a cerca da identificação da cena, para não confundí-la com o batismo de um simples neofita (FAUSONE, 1982). O traço marcante destas cenas_ daquelas dos cubículos dos sacramentos em Callisto (Wp 27,3=Nr p. 106, n. 22; Wp 39,2= Nr p. 106, n. 21) àquelas do sarcófago de S. Maria Antiqua (Ws 7-8= R 747,1)-, está extamente no gesto solene e místico do impositio manuum que, na arte cristã se propõe a um significado polivalente, articulado e absolutamente caracterizado por opostos significados. O gesto oscila entre as ideias de reconciliação, cura, ordenação e confirmação (DE BRUYNE 1943). No âmbito do rito batesimal, o gesto do impositio pode significar vários momentos da dinâmica e da práxis religiosa oriental e ocidental: da simples aspersão à unção e à imposição do sinal da cruz sobre a testa. Em qualquer caso a iconografia propõe algumas variantes, como quando, na volta de um cubículo do cemitério dos SS. Pietro e Marcellino (Nr p. 152, n. 17), o battezzato leva as mãos em gesto de oração, talvez para significar o momento da renúncia à pompa diaboli, que se efetuava se virando a Ocidente, a região das trevas, ou talvez para exprimir a confissão de fé, que se manifestava com as mãos estendidas, se virando em direção ao Oriente. Com o transcorrer dos séculos, a iconografia do batismo de Cristo se enriquece de personagens, com a introdução de anjos e da personificação do Jordão, também a cena do batismo dos neófitas se articula e se povoa de outras figuras (DASSMANN 1973; SCORTECCI 1985-6; DE MARIA 1992). Neste sentido, é emblemática a incisão figurada que decora uma epígrafe marmórea em Aquileia, com a representação de uma jovenzinha cujo um ministro impõe as mãos sobre sua cabeça: ao evento que se desenrola em um ambiente ameno, participa um personagem com auréola identificado com Cristo (CUSCITO 1969-70). Nesse contratempo e até aos séculos do medieval as cenas de batismo se repetem segundo um esquema canônico, que prevê o Cristo nas águas do Jordão, enquanto vem banhado levemente com água por João Batista. Nestes termos a cena aparece nos dois batistérios ravennati e, desde aquele momento, em muitos edifícios batesimais por todas as terras do tardoantigo.

* Tradução livre

1- a. nella roma antica, telo rettangolare di stoffa, generalmente bianca, che si portava avvolto intorno al corpo al di sopra della tunica; analogo indumento indossato nella grecia antica (Na Roma antiga, pedaço retangular de tecido, geralmente branco, que se portava enrolado em torno do corpo por sobre uma túnica; análogo vestimenta trajada na Grécia antuga; b.(lit.) lunga stola di lana bianca con due strisce frangiate pendenti, che viene portata sopra gli altri paramenti durante le funzioni solenni dal papa, dai patriarchi e dagli arcivescovi (longa estola de lã branca com duas pontas em franjas pendentes, que vem disposta sobre outras vestimentas durante as funções solenes do papa, dos patriarcas e dos arcebispos. (http://dizionarioitaliano.it. 18/05/2014, às 15:40)

domingo, 27 de abril de 2014

O BATISMO

O ritual do batismo, segundo a Didache, começou a ser administrado ao final do século I e início do século II. O batismo era associado à morte. Basta lembrar que o início da iconografia batesimal cristã remete às catacumbas, um lugar de sepultamento para cristãos. É muito comum a representação de cenas de batismo junto aos sarcófagos. São exemplos os cubículos dos Sacramentos em San Callisto; o cemitério de Domitilla; o sarcófago de Santa Maria Antiqua; o sarcófago de Lungara; e tantos outros. No batistério de Nocera, do século V, recorda Spera&Smiraglia que "a icnografia do batistério parece recordar mais os mausoléus do que os edifícios de culto.

Il rito del battesimo, secondo la Didache, viene amministrato alle fine dal I secolo e l'inizio dal II secolo. Questo rito era associato alla morte. C'è che ricordare l'inizio dell'iconografia cristiana accade nelle catacombe, luogo dove erano sepolto i cristiani. Sono troppo comune la rappresentazione del battesimo insieme a sarcofaghi. Ricordo i cubicoli dei Sacramenti a San Callisto; cimitero di Domitilla; sarcofago di Santa Maria Antiqua; sarcofago della Lungara; e tanti altri. Sul battistero di Nocera, nel IV secolo, ricorda Spera&Smiraglia che “l'icnografia del battistero sembra ricordare più i mausolei che gli edifici di culto.” (L'edificio battesimale... p. 1015)

1- SPERA, Lucrezia e SMIRAGLIA, Edwige. Il cosiddetto battistero della catacomba di Priscilla a Roma: sistemazione monumentale e segni cultuali. In: L’Edificio Battesimale in Italia: Aspetti e problemi in Atti dell’VII Congresso Nazionale di Archeologia Cristiana (Genova, Sarzana, Albenga, Finale Ligure, Ventimiglia. 21-26 settembre 1998). Istituto Internazionali di Studi Liguri/Bordighera: Bordighera, 2001.