Sobre a importância simbólica da água na iconografia paleocristã, Francia (1) escreveu: "Se, além disso, se tem presente a importância
que tem na liturgia arcaica a teologia da “água viva”, seja
interpretada ritualmente como a água batismal, seja no sentido
bíblico como imagem de Deus mesmo, fonte de vida, não é difícil
atribuir ao ichtis também um simbolismo batismal, enquanto o
ichtis significa o cristão renascido para a nova vida pela
efusão da água escatológica que brota de Jerusalém." (p. 123) Não é difícil, observando as obras do período, encontrar referências imagéticas aos acontecimentos relacionados à água. Sendo assim, estão ali representados, dentre outros, o momento que Moisés faz escorrer água da rocha. Também pode ser visto o tema do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Desse rapporto brota um discurso de quebra de preconceitos que inunda o íntimo daquela mulher. Diz C.P Hia (2): "Jesus saiu de Seu caminho habitual para apresentar a água que dá vida a uma mulher perdida. Ele deliberadamente escolheu ir a uma cidade em Samaria, um lugar onde nenhum rabino respeitável poria os pés. Lá, Ele contou a essa mulher sobre a "água viva". Aquele que beber dela, disse Ele, "... nunca mais terá sede...". Ela "... será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna (João 4.14)." Embora os artistas do período fossem imbuídos de uma atividade decorativa dos locais de culto, em tais imagens figuravam a essência metafórica do discurso verbal dos primeiros cristãos.
1- FRANCIA, Ennio. Storia
dell'Arte Paleocristiana. Milano: Aldo Martello Editore
2- HIA, C.P. Água para o mundo. Disponível em: http://ministeriosrbc.org/. Consultado em: 21/07/2014, às 09h08.
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